Carlos Dergan

Carlos Dergan

Coreógrafo e Professor

Conheça a trajetória de Carlos Dergan, bailarino, professor da UFPA, coreógrafo e pesquisador cuja história une a dança clássica, a superação de limitações motoras, a acessibilidade e a valorização das culturas amazônicas.

Carlos Dergan, coreógrafo, professor e pesquisador da UFPA

Carlos Dergan, nascido em 10 de setembro de 1971, no Brasil na cidade de Belém do Pará, é pessoa com deficiência, bailarino, professor universitário, coreógrafo, pesquisador, curador e mestre de cultura em dança. Sua trajetória acadêmica, artística e profissional desenvolve-se na confluência entre dança, deficiência, acessibilidade, educação, memória, direitos humanos e produção de conhecimento em Artes, tendo o território amazônico como referência de formação, criação e reflexão.

Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde atua como docente efetivo desde 2009, desenvolve atividades de ensino, pesquisa, extensão, criação artística e gestão acadêmica, com trabalhos relacionados à formação em dança, às diversidades corporais, à memória da dança paraense, à educação antirracista, à democratização do acesso à arte e às culturas amazônicas. A experiência como pessoa com deficiência atravessa parte significativa de sua produção acadêmica, especialmente nas investigações sobre corpo, técnica, pertencimento, estigma, acessibilidade e legitimidade dos diferentes corpos no campo artístico.

Conheça a trajetória de Carlos Dergan.

Seu percurso na dança teve início aos 17 anos, quando começou a estudar balé clássico após recomendação médica para a prática de atividade física em razão das limitações motoras provocadas pelas sequelas da hanseníase, que atingiram especialmente uma de suas pernas e uma de suas mãos. Proveniente de uma família de recursos financeiros limitados, não possuía condições para custear atividades particulares de reabilitação. Procurou, então, a professora Vera Lúcia Torres, a quem solicitou uma bolsa de estudos para frequentar aulas de balé clássico.

Woman in athletic wear striking a dance pose on a wooden floor.

A concessão da bolsa possibilitou seu ingresso sistemático no universo da dança. O que inicialmente se apresentava como alternativa para fortalecimento e recuperação corporal transformou-se progressivamente em formação artística e, posteriormente, em profissão. Ao longo desse percurso, aprofundou seus estudos com professores como Renne Simom, solista do Ballet de Paris no Teatro Marigny; Vera Lúcia Torres, primeira bailarina do Teatro Municipal de São Paulo; Emílio Martins, coreólogo e primeiro bailarino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro; e Marilda Azevedo, solista do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, constituindo uma formação vinculada à tradição técnica do balé clássico.

A trajetória iniciada em Belém, em circunstâncias atravessadas pela deficiência e por limitações econômicas, posteriormente alcançou festivais, premiações, Galas dos Campeões e audições profissionais. A experiência do bailarino clássico desdobrou-se, mais tarde, na atuação como professor, pesquisador, coreógrafo, gestor, curador e agente cultural, estabelecendo uma relação contínua entre experiência vivida, técnica, criação, educação e produção acadêmica.

Essa experiência corporal e artística passaria, anos mais tarde, a ocupar lugar relevante em sua produção científica. O encontro entre um corpo marcado pelas sequelas da hanseníase e uma linguagem artística historicamente associada a determinados padrões de corporeidade tornou-se uma das bases de suas investigações sobre deficiência, técnica, memória, pertencimento e produção de conhecimento em Artes.

Cultura e Acessibilidade

Promovendo a acessibilidade nas artes cênicas e impulsionando a valorização das culturas amazônicas através de coreografias marcantes.

Trajetória artística

Como intérprete, Carlos Dergan construiu trajetória vinculada ao repertório do balé clássico e a diferentes experiências de criação cênica. Entre as obras e variações que interpretou encontram-se Pássaro Azul, de A Bela Adormecida; Paquita; Diana e Acteon; La Esmeralda; e Les Sylphides. Também interpretou O Homem Pássaro, obra concebida especialmente para ele pela professora e coreógrafa Vera Lúcia Torres.

Sua trajetória como bailarino foi marcada pela participação em festivais, mostras, concursos e audições realizados no Pará e em outros estados brasileiros. Ao longo da carreira, reuniu mais de 80 premiações em festivais e concursos de dança, consolidando um percurso de circulação artística que ultrapassou os limites territoriais da Amazônia e lhe possibilitou contato com diferentes espaços de formação, reconhecimento e profissionalização.

Entre os primeiros reconhecimentos de sua trajetória encontra-se o título de Bailarino Revelação do Festival de Danças SESI Pará, em 1992, conquistado ao interpretar a obra Angústia, com coreografia de Ana Cardoso. A premiação constituiu um marco em sua trajetória como intérprete e integrou o conjunto de experiências que ampliaram sua circulação nos festivais de dança.

Outras distinções associadas à sua atuação incluem premiação no Festival de Dança do Mercosul, com reconhecimento latino-americano em dança clássica, e o título de Melhor Bailarino em festival nacional realizado em São Paulo.

As premiações possibilitaram também sua participação em Galas dos Campeões, apresentações destinadas a reunir intérpretes e obras reconhecidos nos circuitos competitivos da dança. Esses espaços contribuíram para ampliar a circulação de sua produção artística e inseri-lo em diferentes contextos da dança brasileira.

Formação acadêmica

A formação acadêmica de Carlos Dergan situa-se na interface entre Artes, Educação e Direito. Pós graduação em stricto sensu  em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará com investigação doutoral relacionada ao corpo, à deficiência, à memória, à dança e às formas de produção de conhecimento constituídas a partir da experiência amazônica.

Possui formação lato sensu em áreas relacionadas à Docência do Ensino em Direitos Humanos, Docência Jurídica, Docência do Ensino da Dança, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Educacional, Metodologia da Pesquisa Científica e Pedagogia do Movimento Humano.

Produções artística e direitos humanos:

A produção coreográfica de Carlos Dergan estabelece interlocução recorrente com questões sociais, culturais e políticas. Sua criação incorpora temas relacionados a gênero, relações raciais, religiosidade, povos indígenas, deficiência, diversidade, violência e relações de poder, compreendendo o corpo como território de memória, experiência social e posicionamento artístico.

Entre as produções vinculadas à sua trajetória encontra-se Vidas em Retratos, obra dedicada às experiências das mulheres e às diferentes formas de violência e desigualdade presentes nas relações de gênero.

Em 2024, Carlos Dergan apresentou a obra coreográfica Santo Preto – São Benedito, criada por Carlos Dergan e Gaby Albuquerque. A criação estabelece aproximações entre religiosidade, identidade negra, memória e racismo estrutural, utilizando a referência a São Benedito para problematizar relações entre devoção, presença histórica da população negra e desigualdades raciais.

Santo Preto – São Benedito integrou programação relacionada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), aproximando criação artística, educação, ciência e discussão social.

Em Credo, direciona sua criação para as relações entre religião, poder e comportamento social, abordando formas de instrumentalização da fé e suas repercussões sobre as relações humanas.

Já Anga Ybi volta-se às violências históricas e contemporâneas sofridas pelos povos indígenas, articulando corpo, ancestralidade, território, memória e relações de poder.

Em 2025, Carlos Dergan participou como artista convidado do projeto Entre Arte e Acesso, realizado pelo Itaú Cultural, em São Paulo, inserindo sua produção no debate sobre acessibilidade e participação de pessoas com deficiência no campo das Artes.

Verified by MonsterInsights